… ou Destino é a maior furada!!
Cuidado!! Post longo e sem figuras!
Esse post é uma história pessoal e totalmente verídica que me fez refletir profundamente sobre o destino. Sendo um Físico (tirando algumas flutuações comuns), não era de se estranhar que eu não acreditasse nessas coisas, mas confesso que eu acreditava. É verdade… esse Quase-Físico já foi um sonhador que acreditava que toda tampa tem sua panela independentemente do referencial. (Ahh… ainda sou um pouco, mas não gosto de admitir =P)
Acredito que ela prove com fatos e dados experimentais, colhidos com muito custo, que não existe essa coisa de destino. Bem, vou parar de enrolar e contar logo, por que esse post vai ser longo…
Era 2005… um dia comum tirando um pequeno detalhe incomum: eu iria viajar para visitar meus pais. Arrumei minha mala, sai de casa, caminhei até o ponto de ônibus e foi lá que tudo começou! Logo que cheguei… uma garota chegou e não sei o que aconteceu comigo… fiquei incrivelmente fascinado por ela. Sinceramente ela não era nada espetacular, nenhuma modelo… era uma beleza normal, nada fora do comum… mas o que senti… ia além de aparência, sabe? Resumindo, ela tinha algo que me chamava atenção e eu não conseguia saber o que era.
Como sou um tonto e muito tímido, ficava só olhando pra ela disfarçadamente… tentando entender o que estava acontecendo. Minha visão estava mais ofuscada por ela do que se tivessem dois lasers HeAg apontados para minha retina, não conseguia pensar em nada. Foi então que meu ônibus chegou… e o que aconteceu? Ela pegou mesmo ônibus! E pior!! Ela sentou na minha frente!
Fiquei o caminho todo querendo falar com ela, mas não conseguia… tinha vergonha, tinha medo dela me achar um pervertido de busão… e assim acabei não falando nada.
O ônibus continuou seu caminho e chegou no ponto que eu precisava descer (para depois pegar outro ônibus, para ai sim… chegar a rodoviária). Para minha surpresa o que aconteceu? Ela desceu no mesmo ponto! Mas ela podia ir embora, certo? NÃO!! Ela ficou esperando outro ônibus… assim como eu! E… e… e eu não conseguia falar com ela!! Snif snif…
Fiquei lá… esperando… e não entendendo o que ela tinha que me deixava daquele jeito bobo! E novamente o ônibus apareceu, parou e eu entrei! E ELA TAMBÉM!! Dessa vez… eu fiquei em pé, ela foi sentada e novamente fiquei babando. Chegando na rodoviária, desci do ônibus e fui almoçar (sempre chego uns 45mins antes pra não correr riscos de perder a viagem e aproveito pra comer).
Terminado o almoço, me dirigi até a plataforma de onde meu ônibus sairia e quando eu cheguei… quem estava lá por perto? ELA! Eu já estava ficando incomodado com o quanto ela mexia comigo sem eu nem saber nada sobre ela! Fiquei lá, sendo torturado pela sua presença.
O ônibus chegou… deixei minha mala na parte de baixo, e quanto estava entrando no ônibus reparei que ela estava caminhando na direção dele. Assim que entrei, fui procurar meu lugar. Encontro minha poltrona ocupada, como de costume. Mas a senhora que estava nela me pediu gentilmente para trocar de lugar, pois ela queria ir ao lado de sua neta. Concordei numa boa com a troca, perguntei qual era poltrona dela (era 26, sim, eu lembro!) e me sentei lá. Fato: a poltrona do meu lado estava vazia…
ENTÃO!! Do nada!! Quem surge no corredor do ônibus??? ELA!! Fico congelado!! Ela vem caminhando… caminhando… e onde ela sentou? Do meu lado! Exatamente do meu lado!! Nesse momento minha cabeça virou uma bagunça total! Ao mesmo tempo que eu fiquei feliz de saber ela ficaria praticamente 6 horas do meu lado… eu tentava computar as probabilidades de tudo isso ter acontecido.
Pausa de reflexão
Quais são as chances de: dadas duas pessoas aleatórias quaisquer 1 e 2… a pessoa 1 ficar instantaneamente fascinada pela pessoa 2. As duas pessoas pegarem o mesmo ônibus, pararem no mesmo ponto, pegarem outro ônibus, descerem na rodoviária e ficarem enrolando por que chegaram cedo demais, pegarem novamente o mesmo ônibus, a pessoa 1 ter seu lugar original ocupado, ser realocado para outra posição no ônibus e essa posição ser exatamente a do lado de pessoa 2.
Se você fez a conta acima e sua resposta deu na ordem de…
…você acertou.
Fim da pause de reflexão
A viagem começa… e eu, como conhecedor e ótimo interpretador de linguagem corporal, consegui perceber com grande facilidade o que ela desejava naquele momento… DORMIR. Geralmente também durmo nessas viagens, mas nessa eu não consegui! Queria estar acordado/disponível para qualquer possibilidade de comunicação com ela. Fiquei a viagem toda acordado.
Cinco horas e 35 minutos depois, faltando aproximadamente 25 minutos para chegar em minha cidade… ela acordou, se ajeitou na poltrona… e eu pensei: Cara! Fala com ela!! Você é um homem ou um rato? Fala com ela!! É sua última chance! Vaiii!
Comecei suar frio…tentando bolar alguma coisa pra falar! E foi quando mais um cataclísma probabilístico aconteceu:
Eu estava olhando para aquele relógio digital, que fica logo acima da porta do corredor do ônibus, quando ele simplesmente piscou e reascendeu com zeros no lugar das horas. Foi então, que antes mesmo que eu pudesse pensar: ham? o que aconteceu com esse relógio? Ela levantou a cabeça sobre o poltrona da frente (ela era meio baixinha) e olhou pro relógio… viu que nele só tinha 00:00… virou pra mim e perguntou: Que horas são?
YEAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! SIM!! SIMMMM!! Era a oportunidade que eu precisava! Era um sinal! Só podia ser um sinal.. era o destino falando comigo (ou melhor dando tapas na minha cara!). E eu aproveitei muito bem a chance! Acabei conversando com ela.. o pouco tempo que tínhamos. Achei ela demais… gostei mesmo da conversa com ela, tanto que não percebi que o ônibus já tinha parado em minha cidade e o pessoal já tinha saído… O que aconteceu foi que eu sai correndo e me enrolei todo.. só consegui me despedir dela e não me lembrei de conseguir nenhum meio sequer para manter contato. Nada! Nenhum telefone, fax, celular, e-mail, caixa postal, msn, icq, nick de mIRC e nem freqüência de transceptor da faixa do cidadão! NADA!! O burro aqui não pegou nada!!
Quando me toquei disso, quase me joguei na frente de outro ônibus de tanto raiva… mas então me lembrei que existe orkut! Corri pra casa e usei minhas habilidades orkutisticas e encontrei o profile dela, afinal eu sabia o nome dela, o que fazia e a cidade que morava! Mandei uma mensagem para ela explicando que queria manter contato, que gostei dela e tal… pedi o msn.
Depois de alguns dias, ela responde a mensagem meio que secamente… mas com o msn nela. Adicionei e por vários dias nada dela online. Resolvi verificar uma suspeita e confirmei que ela me bloqueou, antes mesmo que eu pudesse falar com ela. =(
Desde então… nunca mais falei ou cruzei com ela por ai.
E tem gente que não sabe por que “inventei” os Ázarons..
Moral da história 1: Destino é papo furado!
Moral da história 2: Perto do impossível, o improvável é totalmente possível (derrr)
Moral da história 3: Destino não é papo furado… mas sofre interação azarônica!
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